Aforismos de mentirinha, polêmicas ao vento 69. Equilíbrio do planeta Há quem se preocupe, para o perfeito equilíbrio do planeta, com a extinção dos pandas e dos pardais. Não discuto a argumentação, mas para o equilíbrio do meu planeta, estou muito mais preocupado com a extinção das instalações, do cinema iraniano e do teatro paranaense.
Escrito por por André Tezza Consentino às 18h14
[ ]
[ envie esta mensagem ]
[ link ]
|
Aforismos de mentirinha, polêmicas ao vento 68. Linguagem da música Certo dicionário define música como arte e ciência de combinar os sons de modo agradável ao ouvido. É o enunciado perfeito para parte da plateia, mas tão absurdo quanto definir literatura como arte e ciência de combinar as palavras de modo agradável à visão.
Escrito por por André Tezza Consentino às 17h52
[ ]
[ envie esta mensagem ]
[ link ]
|
Aforismos de mentirinha, polêmicas ao vento 67. Escolhas Individuais X Causas Públicas A lógica da modernidade é a lógica do fortalecimento das escolhas individuais sobre as normas coletivas. Isto não é, de modo algum, necessariamente ruim: foi assim que o ocidente pôde, com mais ou menos sucesso, realizar a revolução sexual, questionar o Estado e a Igreja, tolerar minorias e desmascarar os projetos totalitários. Mas a radicalização das escolhas individuais acabou com a esperança da política e, com ela, os princípios de autoridade. A crise entre pais e filhos ou a crise entre professores e alunos são exemplos de como a falta de autoridade é problemática: se entendemos que qualquer projeto de civilização é um projeto de construção coletiva, então só poderemos chamar de civilização algo diferente da primazia exclusiva das escolhas individuais.
Escrito por por André Tezza Consentino às 22h15
[ ]
[ envie esta mensagem ]
[ link ]
|
Aforismos de mentirinha, polêmicas ao vento 66. Inteligência Quanto mais uma pessoa se assemelha a nós mesmos, tanto mais fácil será dizer que ela é inteligente.
Escrito por por André Tezza Consentino às 21h57
[ ]
[ envie esta mensagem ]
[ link ]
|
Aforismos de mentirinha, polêmicas ao vento 65. Princípio geral de sociologia II Um problema da esquerda ao longo do século XX foi tentar construir o ideal do homem emancipado partindo do princípio que podemos refletir de modo isento e verdadeiro sobre aquilo em que todos nós estamos imersos: a sociedade de massas. Podemos inverter perspectivas e questionar o todo existente, mas o sonho acabado do homem não alienado é um projeto totalitário: é partir do pressuposto que existe um modelo final que, por si só, é verdadeiro. E eis uma das maiores tragédias políticas da humanidade: o comunismo.
Escrito por por André Tezza Consentino às 08h24
[ ]
[ envie esta mensagem ]
[ link ]
|
Aforismos de mentirinha, polêmicas ao vento 64. Princípio geral de sociologia I Um ponto fundamental para entender a sociedade do nosso tempo é perceber que as massas não são os outros. As massas somos nós.
Escrito por por André Tezza Consentino às 08h23
[ ]
[ envie esta mensagem ]
[ link ]
|
Aforismos de mentirinha, polêmicas ao vento 63. Tolerância III A menina que estiver chocada com as minhas ideias sobre a burca (e eu que pensava estar defendendo as mulheres), que veja ou leia Persépolis e depois venha conversar comigo. Combinado?
Escrito por por André Tezza Consentino às 15h06
[ ]
[ envie esta mensagem ]
[ link ]
|
Aforismos de mentirinha, polêmicas ao vento 62. Tolerância II Menina, não fique chocada, mas entendo que Luc Ferry estava certo quando proibiu a burca nas escolas públicas francesas. O argumento de Ferry é simples: a burca não é uma questão religiosa, mas política. Afinal: a restrição da burca não consta na lista das proibições, digamos, oficiais da religião muçulmana às mulheres. Além: o uso obrigatório e sistemático da burca, num sistema totalitário de controle das escolhas privadas, não é uma tradição milenar — no Irã, por exemplo, começou a partir da revolução de 1979, quando os aiatolás tomaram o poder. Portanto, a questão é de primazia política. Por que proibimos, inclusive aqui no Brasil, que um aluno transite por aí com um uniforme nazista? Porque, como bem diz Umberto Eco, mesmo num sistema político que aceita a tolerância, não podemos aceitar aquilo que ameaça a existência da própria tolerância. O limite da tolerância é a intolerância. Ora, a burca é exatamente isto: tal qual um uniforme nazista, ela é a expressão não de uma certa religião, mas da interpretação fundamentalista, política e totalitária de uma certa religião que, no limite, não aceita (e nunca aceitou) a tolerância.
Escrito por por André Tezza Consentino às 15h04
[ ]
[ envie esta mensagem ]
[ link ]
|
Aforismos de mentirinha, polêmicas ao vento 61. Tolerância I Pouco me importa que a tolerância seja um conceito ocidental, no sentido mais explícito do iluminismo europeu. Poderia ser um conceito oriental ou dos ianomâmis — é uma conquista da humanidade, não de um povo ou de uma nação.
Escrito por por André Tezza Consentino às 15h00
[ ]
[ envie esta mensagem ]
[ link ]
|
Aforismos de mentirinha, polêmicas ao vento 60. Problema insolúvel Nós pensamos os pensamentos ou os pensamentos vêm ao nosso pensar?
Escrito por por André Tezza Consentino às 14h12
[ ]
[ envie esta mensagem ]
[ link ]
|
Aforismos de mentirinha, polêmicas ao vento 59. Problema solucionado Naturalmente, a galinha teve um ancestral na cadeia evolutiva. Este ancestral, que pela minha completa ignorância vou denominar de galinhossauro, naturalmente se reproduzia por meio de ovos. Na primeira mutação, em que surgiu a primeira galinha a partir do galinhossauro, veio primeiro um ovo e depois uma galinha. E fica respondida a pergunta de quem veio antes.
Escrito por por André Tezza Consentino às 14h09
[ ]
[ envie esta mensagem ]
[ link ]
|
Aforismos de mentirinha, polêmicas ao vento 58. Piano Quem não gosta do som de um piano (ou de seus primos ancestrais) pode desistir desde já do discurso dos sons. Nenhum instrumento é tão completo quanto um piano. Antes que digam bobagens: o órgão não é um instrumento musical, mas uma peça fora de moda de arquitetura sacra; E aqueles brinquedinhos bobinhos que se ligam na tomada e envelhecem como softwares são como o Photoshop: ficção de pintura para quem não sabe pintar.
Escrito por por André Tezza Consentino às 17h14
[ ]
[ envie esta mensagem ]
[ link ]
|
Aforismos de mentirinha, polêmicas ao vento 57. Improvisação III Não nego que a grande maioria dos revolucionários do jazz seja negra e pertencente à linda família dos metais. Mas o grande improvisador vivo do jazz é branco e toca piano: Keith Jarrett. Aliás, não que isto seja critério de desempate, mas é preciso lembrar que é muito mais difícil improvisar em um piano do que em qualquer instrumento de sopros.
Escrito por por André Tezza Consentino às 17h13
[ ]
[ envie esta mensagem ]
[ link ]
|
Aforismos de mentirinha, polêmicas ao vento 56. Improvisação II Veja que belo recado para uma sociedade cada vez mais cheia de manuais e encantada com a busca inútil da estabilidade: o jazz é a poesia da singularidade contra a racionalidade administrativa do nosso tempo; o jazz é o sopro de vida humana em um mundo encantado com a disciplina severa da autoconservação. Por isto mesmo, sua compreensão é difícil. Em outras palavras: o oposto do diagnóstico de Adorno.
Escrito por por André Tezza Consentino às 17h12
[ ]
[ envie esta mensagem ]
[ link ]
|
Aforismos de mentirinha, polêmicas ao vento 55. Improvisação I Há muitas maneiras de se amar o jazz. Para mim, o fundamental é a sua condição primeira: o jazz é o salto no escuro, o enfrentar o risco do novo a cada compasso. Naturalmente, o preço é alto — quase todos os jazzistas, se não todos, têm uma carreira irregular. Não é fácil se atirar no escuro e acertar com regularidade: sempre quando ouço alguém dizendo que não gosta deste ou daquele jazzista, me pergunto se este mesmo alguém conhece este ou aquele jazzista por inteiro. Às vezes, a obra-prima de um jazzista está no intervalo do quarto ao sétimo minuto de sua improvisação. E o resto pode ser desprezível.
Escrito por por André Tezza Consentino às 17h11
[ ]
[ envie esta mensagem ]
[ link ]
|
|

|
|

|