Impressões de Viagem


133. Medo.

Descobri horrorizado aos sete anos que os adultos casados dormem pelados — foi um dos medos que atormentaram a minha infância.



Escrito por por André Tezza Consentino às 11h04
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132. Amizade.

Quando o Galvão fala a pergunta do amigo internauta, eu fico pensando quantos inimigos internautas a Globo tem de filtrar.



Escrito por por André Tezza Consentino às 09h41
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131. Imoral.

Só os letrados têm o direito a maldizer os livros. É imoral desmerecer o que não se conhece.



Escrito por por André Tezza Consentino às 09h30
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130. Linha do tempo.

Linha do tempo no Facebook: "quem acredita que as pessoas mudam é o cara da transportadora". A linha do tempo é o novo parachoque de caminhão. A diferença é que dura menos.



Escrito por por André Tezza Consentino às 09h20
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129. Nova velhice. Homenagem a Philip Roth.

Antigamente, você percebia quando uma pessoa estava chegando na velhice com as rugas. Hoje, é com as plásticas. As plásticas são as novas rugas, só que, ao que me lembre, ninguém fazia piada com as rugas.



Escrito por por André Tezza Consentino às 20h00
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128. Mudar o mundo IV

6. O momento decisivo da evolução humana é permanente. Por isso estão certos os movimentos revolucionários do espírito que declaram nulo tudo o que veio antes, pois nada ainda aconteceu.

52. Na luta entre você e o mundo, apoie o mundo.

53. Não se deve fraudar ninguém, nem mesmo o mundo por sua vitória.

61. Quem, dentro do mundo, ama o próximo não está mais nem menos certo de quem, dentro do mundo, ama a si mesmo. Resta só a pergunta sobre se o primeiro deles é possível.


Franz Kafka, Aforismos (estes são os de verdade!). Essencial Franz Kafka, Penguin Companhia, tradução de Modesto Carone, 2011.

 



Escrito por por André Tezza Consentino às 15h59
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127. Mudar o mundo III

Clubeiro comunista, Arlindo desistiu do projeto de reformar o homem depois de não mudar nem as miudezas da esposa. Agora é Arlindo, divorciado, ex-comunista.

 



Escrito por por André Tezza Consentino às 20h46
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Aforismos de mentirinha

126. Mudar o mundo II

O homem muda? É o tipo de pergunta que, por hora, não temos nem a coragem nem a audácia de tentar responder. Os aforismos são de mentirinha, tá?

 



Escrito por por André Tezza Consentino às 20h42
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Aforismos de mentirinha

125. Mudar o mundo

Muitos dos indivíduos sensíveis à arte gostam de dizer que é preciso mudar o mundo, que o mundo não está pronto, que a sociedade é imperfeita, que o homem não é emancipado. Aliás, notam estes indivíduos: a arte “serve” para transformar o homem. O objetivo é nobre. Mas perceba o terrível paradoxo: a imprescindível arte que sobrevive ao tempo não é uma prova da constância da condição humana? Não continuamos lendo os gregos porque nos identificamos profundamente com aquilo tudo? Continuaríamos lendo os gregos se fôssemos outro homem? Se não há e não houve outro homem, que esperança pode haver de futuro “diferente”?

 



Escrito por por André Tezza Consentino às 20h27
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Aforismos de mentirinha

124. Educação

A veterinária do meu cachorro diz que, depois da Páscoa, a clínica fica lotada de animais com indigestão alimentar – chocolate demais, sabe. Se as pessoas não são capazes de frustrar o desejo de um cachorro, imagine de uma criança — não, meus amigos apocalípticos, o problema da obesidade infantil não tem nada a ver com a mídia. A não ser que você aceite que os cachorros também são manipulados pelas campanhas de ovos de páscoa.

 



Escrito por por André Tezza Consentino às 10h18
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Aforismos de mentirinha

123. Curitiba

A única arte curitibana que tem relevância no país é a literatura — meus amigos e inimigos, convenhamos, a música, o teatro, as artes plásticas, a dança e o cinema da terra só não são desprezados pelos confrades. Eis o paradoxo de Curitiba: a cidade que não lê, que não sabe o nome de pelo menos um escritor da sua laia, produz uma das culturas literárias mais importantes do país.

 



Escrito por por André Tezza Consentino às 10h16
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Aforismos de mentirinha

122. Palestra Motivacional

O careca de Frankfurt dizia que esporte é preparação para o trabalho mais produtivo e ambos são manifestações do fascismo. Exagero? Pode ser. Não estamos mais no horror totalitarista e as visões sombrias do mundo estão fora de moda. Mas, além da violência contra o próprio corpo, além do entrelaçamento entre trabalho e castigo, Bernardinho e Senna são exemplos do quê? De vida saudável? Medianeras: ninguém aí percebeu como é estressante a vida saudável? É sintomático: nas palestras motivacionais das empresas, o triunfo do fundamentalismo calvinista; a resposta em riste acusa vagabundos e artistas.

 



Escrito por por André Tezza Consentino às 23h08
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Aforismos de mentirinha

121. Tudo o que é não é

Adorno é o bagre ensaboado da filosofia.

 



Escrito por por André Tezza Consentino às 23h07
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Aforismos de mentirinha

120. A impossibilidade do melhor

No esporte, só no absoluto é possível dizer o melhor. Sim, é possível dizer, eis o corredor mais rápido de todos os tempos. Mas não é possível dizer: eis o maior boleiro de todos os tempos. Não é só uma questão de subjetividade. A comparação é necessariamente temporal: e se fulano só fosse o melhor numa época em que só pernas de pau jogavam?



Escrito por por André Tezza Consentino às 21h38
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Aforismos de mentirinha

119. Inteligência e enigma

As inteligências múltiplas, de Gardner, são um bom antídoto para a estupidez dos testes de QI. Mas a solução é igualmente ruim: então é inteligente aquele que tem audiência, aquele que faz algo que tem prestígio, valor, dentro de uma comunidade. Sei. Nesta acepção democrática da inteligência, veja bem, Kant seria menos inteligente que todos nós.



Escrito por por André Tezza Consentino às 21h37
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