Aforismos de mentirinha, polêmicas ao vento 29. Assino embaixo II http://www.youtube.com/watch?v=IOkgwN1BlE8
Escrito por por André Tezza Consentino às 08h42
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Aforismos de mentirinha, polêmicas ao vento 28. Assino embaixo "Recenemente, visitei o Castello de Rivoli, perto de Torino. É uma antiga residência régia, transformada (admiravelmente) em museu de arte contemporânea. Gostei da exposição temporária do momento (Thomas Ruff, o artista-fotógrafo), mas me decepcionei com a coleção permanente (o que estava à mostra era, sobretudo, "arte povera", um movimento italiano, forte nos anos 70, que compõe obras com restos e materiais humildes, achando e declarando que, com isso, ele criticaria, sei lá, o capitalismo). Manifestei minha decepção: não acho graça em obras que só nos proporcionam algum tipo de experiência à condição de sermos "instruídos" pelo discurso programático que as acompanha. Uma parte da arte contemporânea, aliás, parece existir para garantir a plena ocupação dos críticos, pois, sem seus comentários, as obras nos diriam pouco ou nada." Contardo Calligaris, Folha de São Paulo, 13/08/2009
Escrito por por André Tezza Consentino às 08h21
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Aforismos de mentirinha, polêmicas ao vento 27. Gripe Midiática - Última parte (chega desta paranóia!) Agora que os ânimos se acalmam e aquilo que é óbvio começa a aparecer — o medo da gripe suína é tão justificável quanto o medo do boitatá, do saci-pererê ou de os Estados Unidos não terem pisado na lua (se você quer ter medo de alguma coisa, tenha medo da coqueluche, de infarto no coração, de homicídio, de acidente de trânsito, do câncer, do cigarro e, ora bolas, da gripe comum – tudo isto daí mata bem mais que a gripe suína), vem aqui a minha bronca: por que diabos as pessoas têm tanto medo da mídia? Na época das ditaduras do passado, isto era plenamente defensável e justificável. Mas, hoje, com a mídia digital, veja o estrago que algo supostamente inofensivo como o Twitter pode fazer num lugar medonho como o Irã. A perspectiva de verdade aqui é a seguinte: a mídia nos informou da gripe, orientou a população sobre novos hábitos de higiene, entrevistou os médicos do governo e os médicos que não trabalham no governo, trouxe estatísticas de todas as partes do mundo, mostrou como os médicos são contraditórios entre si e podem ser francamente frágeis ou ignorantes, enfim, não consigo entender qual é lógica que está por detrás de tanta desconfiança exceto o medo. Posso morrer amanhã de gripe suína, é bem verdade, mas anote aí as palavras do velho Nietzsche: os fracos, aqueles que têm medo da vida, gostam de se comportar como rebanho.
Escrito por por André Tezza Consentino às 13h15
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Aforismos de mentirinha, polêmicas ao vento 26. Gripe Midiática V "Aqui na cidade de São Paulo, dizem as estatísticas, morre um motoqueiro por dia no trânsito. Então, da mesma maneira que eu estou proibindo os alunos de irem à escola, eu deveria proibir moto. Está morrendo mais gente de motocicleta, como sempre, do que de gripe" Gonzalo Vecina, professor de saúde pública da Universidade de São Paulo (USP). Disponível em: http://noticias.uol.com.br/cotidiano/2009/08/13/ult7403u351.jhtm
Escrito por por André Tezza Consentino às 10h28
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Aforismos de mentirinha, polêmicas ao vento 25. Gripe Midiática IV O que é interessante da Internet é que, ao contrário de certo senso comum, existem sim muitos espaços absolutamente confiáveis. Quem desejar dados sobre a gripe pode acessar pesquisas das mais importantes universidades do mundo, que estão livremente disponíveis na web e que a imprensa brasileira não parou de traduzir e divulgar. Um exemplo interessante de como informações mais seguras podem se sobressair é o boletim que o Hospital de Clínicas (HC) da UFPR passou a divulgar via web. Após um spam terrorista afirmar que 15 médicos morreram e que mais de 100 óbitos haviam acontecido no HC (o que faria com que cerca de 10% das mortes em todo o mundo de gripe suína tivessem ocorrido somente em um único hospital de Curitiba...), o próprio hospital passou a divulgar os dados reais em seu site: http://www.hc.ufpr.br/influenza.php. Um lado poderoso dos spams é que a sua boataria intrínseca acabou apavorando não só a população, mas também a mídia oficial e a política oficial. Para não saírem chamuscados, mídia e políticos precisaram correr atrás da informação mais confiável possível. De um lado, a secretaria abriu os números e, no prazo de uma semana, estávamos com dados mais similares aos demais Estados e aos demais países de mundo; Por outro, a mídia buscou a opinião dos infectologistas mais respeitados do Paraná, inclusive aqueles que não têm nenhum vínculo com o governador Requião.
Escrito por por André Tezza Consentino às 21h34
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Aforismos de mentirinha, polêmicas ao vento 24. Gripe Midiática III Se, para o Governo do Estado, manipular números é um erro, o mesmo raciocínio vale para a mídia de massa. Já seria estranho tentar a acusar a RPC de qualquer cumplicidade com Requião, mas, mesmo que fosse outro governador, provavelmente a interpretação dos dados seria similar. O ponto é: a mídia de massa não tem outra opção na era da mídia digital — a única possibilidade de sua sobrevivência é a da credibilidade em causas públicas. Quando as informações sobre a gripe minguavam, os spams explodiam e havia acusações contra a mídia tão espetaculares quanto àquelas que eram dirigidas ao Governo. Naturalmente, a mídia, assim como qualquer médico responsável, não pode divulgar impressões, mas estatísticas confiáveis, números confirmados, o que simplesmente não estava disponível e jamais estará disponível na pressa que a ansiedade da população exige. Resultado: a RPC foi obrigada a levar Sandro Dalpícolo em seu horário nobre para defender a imprensa, a cobertura jornalística, a investigação dos dados.
Escrito por por André Tezza Consentino às 21h33
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Aforismos de mentirinha, polêmicas ao vento 23. Gripe Midiática II Em um de seus primeiros comunicados, a Secretaria de Saúde do Estado do Paraná anunciou que os boletins sobre a gripe suína aconteceriam uma vez por semana. Foi um erro político grave: isto aumentou a troca de spams que anunciavam centenas de mortes em Curitiba, bem como suscitou a desconfiança de que o governo não divulgava os dados ou para não gerar pânico ou então para evitar a desgraça na opinião pública. Uma semana depois, a Secretaria anunciou que os boletins aconteceriam três vezes por semana, o secretário veio a público se defender de acusações explicando a dificuldade de atualizar rapidamente os números (há centenas de pedidos de confirmação da gripe no Lacen do Paraná) e as mortes subiram de 4 para 21. Certamente há mais mortes – mas é mais fácil acreditar que a demora na divulgação seja realmente uma questão técnica e não uma questão política. Porque agir de modo não técnico, neste momento, seria um erro político primário. O político que recusar a publicidade da informação, numa situação de tamanha ansiedade como a da gripe, e no momento em que a informação flui como a velocidade da conversa, vai para o mesmo limbo que Aznar na Espanha. Não se elege nem como vereador em Piraquara.
Escrito por por André Tezza Consentino às 21h26
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Aforismos de mentirinha, polêmicas ao vento 22. Gripe Midiática I Em 48, era natural que um escritor talentoso como Orwell imaginasse um mundo em que a informação fosse completamente manipulada, em perfeita harmonia com a lógica de um Estado totalitário opressivo — afinal de contas, Hitler e Stalin eram as referências políticas do momento. Mas usar este imaginário para tentar explicar uma possível manipulação dos dados da gripe suína, hoje, é a ingenuidade com pretensão de sabedoria: a relação entre poder e mídia mudou completamente. Um exemplo emblemático desta transição aconteceu na Espanha, nas eleições para primeiro-ministro de 2004. A história é conhecida: nas vésperas do dia da votação, mais de 200 pessoas morreram numa colossal ação terrorista coordenada que atingiu três estações ferroviárias madrilenas. Antes dos ataques, o candidato da situação era apontado em pesquisas eleitorais como favorito e o governo do então primeiro-ministro Aznar veio à mídia para tentar convencer os espanhóis de que os atentados eram de autoria do grupo terrorista Basco, o ETA. O problema era que, ora bolas, quem estava por trás dos ataques era a Al Qaeda, em represália ao envio de tropas espanholas ao Iraque. E o que aconteceu? A versão oficial, da situação, circulou na TV estatal: a identidade da Espanha mais uma vez ameaçada pelos separatistas bascos. A versão não oficial, responsabilizando a Al Qaeda, circulou livremente nas novas mídias, sobretudo em torpedos de celulares, contribuindo para que, no dia da eleição, com a participação maciça de jovens que trocaram mensagens, a oposição vencesse. Hoje, mesmo em ditaduras, é muito difícil restringir a troca de informação. Os fatos (ou as suas interpretações...) aparecem de qualquer modo – a mídia digital contribui para que a velocidade da transparência aumente.
Escrito por por André Tezza Consentino às 21h24
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